Algumas premissas para acertar na contratação de profissionais de projetos - 1º Parte.
Contextualizando:
Trabalho com projetos desde quando a “prancheta” era a ferramenta e gestão de projetos era feita com os princípios de “Taylor e Fayol”.
Hoje ficou muito mais difícil para as empresas acertarem na contratação de profissionais de projetos de uma forma geral.
Perguntei a um amigo muito competente da “VALE”, por que não tentava a certificação PMP? Ele me respondeu que, ao mesmo tempo pensava fazê-lo ficava desanimado, E ainda acredita que, este título pode se tornar banalizado, simplesmente por conhecer uma quantidade muito grande de profissionais certificados que não desenvolvem bem seus papéis.
Na “época da prancheta”, os profissionais indicados ou não, tinham que fazer muitas vezes testes práticos que realmente comprovavam suas habilidades e conhecimentos técnicos.
Os setores de RH não desempenhavam uma função estratégica nas organizações, e como prefiro dizer que, infelizmente, ainda estamos em uma faze de “tendência”.
Então o que mais pesava realmente, era o “quem indicou” pra dizer se o profissional faria carreira na empresa.
Hoje esse fator ainda tem grande relevância, porém algumas coisas mudaram.
A “tecnologia” dificultou alguns processos.
Tem muita gente fazendo cursos rápidos de: Leitura e interpretação de desenhos, treinamentos em soluções CAD e se considerando projetistas ou profissionais de alto gabarito.
Formação e cursos de qualificação é a parte mais fácil na formação desses profissionais.
A formação de um bom profissional nessa área pode levar anos.
Poucas empresas, estão depois de muitos erros mudando seus pontos de vista em relação a isso.
Crenças como:
“Um bom profissional nessa área, custa muito caro.”
Realmente isso tem muita relevância na contratação levando em conta que o recrutador já recebe a informação do quanto a empresa está disposta a pagar pelo perfil que deseja.
(Muitos empresários não acreditam que vale a pena investir em qualificação de seus profissionais, educação corporativa, universidade corporativa, “etc”...
ou não tem a devida preocupação com a retenção de talentos, o que custa caro para a empresa, ou é repassado para seus clientes onde a sociedade também sai perdendo com a alta rotatividade de profissionais, todos os prejuízos que isso gera e ninguém contabiliza). Acreditam que selecionar profissionais da área de projetos é o mesmo que selecionar “operadores”.
Porém os melhores profissionais que conheço, não perdem tempo enviando currículo para oportunidades onde o salário não é informado, e eles também sabem que ficarão pouco tempo à disposição do mercado.
Outro fator é que, como dizem os melhores profissionais dessa área, o mercado se encontra “muito prostituído”.
Enfatizam muitas vezes nas “requisições de contratação” o conhecimento específico em algum software, sem a devida preocupação, se o profissional sabe realmente projetar, independente do tempo de exercício em sua função, seja qual for.
O mercado está cheio de operadores de CAD, ou como algumas empresas preferem classificar, CADISTAS.
Todos os profissionais mais antigos na área, que já tive oportunidade de entrevistar consideram o termo “CADISTA”, uma referência pejorativa ao profissional que trabalha com desenhos.
E também não se sentem muito confortáveis com a classificação de “Analistas de Projetos”, o que comumente, abre um grande leque de atribuições e dependendo das atribuições, pode levar o candidato a questionar essa “nova nomenclatura” e os motivos de sua utilização.
Porém se sentem mais tranqüilos quando as atribuições ao cargo estão coerentes com as funções mais familiares.
Normalmente os melhores que já entrevistei tem o histórico mínimo a ser considerado tendo como referência a linha mais tradicional na carreira de profissionais da área:
Desenhista - (mínimo de 2 anos na função), desenhista projetista, projetista júnior, pleno e sênior, até chegar a gerência de projetos.
Outros fatores de grande relevância na retenção de talentos são:
Condições de trabalho: Muitas empresas querem o profissional que além de capacitado esteja de acordo com suas expectativas mais se esquecem de suas condições de trabalho.
É muito comum que as empresas não dimensionem adequadamente os recursos de que esses profissionais necessitam.
Profissionais que trabalham com 3D dependendo da atividade a ser realizada, necessitam de equipamentos melhores.
Não se pode esperar que um profissional faça simulações, monte toda uma planta industrial virtualmente e com uma qualidade de imagens para apresentações, entre outras tarefas, com um equipamento que não foi devidamente previsto por seus superiores e cobrar resultados satisfatórios.
É muito comum esse erro não ser assumido pelos superiores e eles acabarem por demitir o funcionário, com a finalidade de encobrir o erro grave para não ser percebido pela diretoria.
O profissional mesmo quando sua remuneração está um pouco defasada em relação ao que o mercado oferece, se sente satisfeito onde trabalha, por que seu superior compreende suas “reais necessidades”.
Normalmente não é culpa do superior que em muitas das vezes está no cargo, sem “experiência operacional prévia”. (Pois isso leva muito tempo para adquirir e é preciso que ele tenha a oportunidade e interesse de aprender).
Em empresas de engenharia híbrida em que várias soluções CAD-CAE-CAM e PLM são utilizadas, é muito comum que um coordenador de projetos não conheça bem cada solução disponível no mercado, bem como seus recursos e melhores aplicações e utilização.
Isso gera custos desnecessários, má utilização dos recursos disponíveis e desperdício de tempo e mão de obra.
Não compreender sobre como aproveitar os recursos de um software, não ter noção sobre sua “linguagem” e que “extensões” ele gera, e o que pode ser melhor aproveitado, em relação à tudo o que esse software exporta e importa, (pode gerar perda de tempo investimentos e recursos, se atrelarmos a isso uma hardware mal dimensionado).
Em profissionais com mais de 7 anos de experiência, percebo que quando não param de se atualizarem (qualificando-se) em relação às novidades tecnológicas relacionadas às suas profissões, uma segurança maior em relação à sua empregabilidade e estabilidade, (enquanto os que se acomodam tendem a ficar com medo de perder o emprego e serem substituídos, se negando a colaborar sinceramente e de maneira significativa com o crescimento profissional dos que estão à sua volta).
Estes mais seguros, estão propensos a ajudar os que estão iniciando a carreira e se dispõem a ministrar treinamentos e compartilhar informações estimulando os mais inexperientes a adquirir mais vivência e conhecimento.
Vários fatores de grande relevância, tem sido ignorados e existem crenças em relação ao perfil desses profissionais que induzem à erros na contratação.
Conheço excelentes profissionais que cansados de não ter suas expectativas atendidas preferem trabalhar como pessoa jurídica e até mesmo de maneira informal.
E vejo muitos talentos sendo desperdiçados e à disposição do mercado por não serem percebidos em suas organizações apesar de todos os avanços na área de recursos humanos o que infelizmente também não têm como atuar de maneira mais eficaz devido às limitações impostas pela própria estrutura organizacional, além de não conhecerem, como deveriam, os fatores mais relevantes nessas profissões; o que só é possível com um entrosamento muito bom com os líderes ou vivência na área.
Os dogmas também atrapalham muito, como por exemplo, o tempo de permanência em empregos anteriores, o que pode ser um indicador muito relativo.
Conhecer um pouco sobre a cultura das empresas de onde os profissionais estão vindo ou pra quais empresas, eles já prestaram serviço, ajuda muito.
Conheço um profissional que trabalhou muitos anos, (quase 10 anos) sem vínculo empregatício algum, para uma empresa em contagem que apesar de ter se tornado um profissional muito bom, tinha dificuldades em conseguir uma boa oportunidade por não ter histórico registrado em carteira, ficando refém da situação por muitos anos. Até que por indicação e assim mesmo com muita relutância pelos profissionais de RH, conseguiu uma oportunidade em uma empresa do grupo Fiat.
Por isso acredito ser importante considerar aspectos além dos conhecimentos tradicionais, diplomas e títulos dando atenção a iniciativa e outras características que sabemos ser importantes para o sucesso profissional e para o sucesso da empresa ou de quem busca trabalhar sempre de forma empreendedora.
Os profissionais que se identificarem com os pontos mais positivos do texto lido, podem ficar à vontade para me enviar seus currículos caso sintam necessidade de ajuda. Tenho prazer de indicar bons profissionais quando me é solicitado por antigos patrões e parceiros.
Agradeço pela sua leitura.
Welder Farias Silva.
Caro Welder, descobri seu blog por meio do Linkedin. Gostei desta sua postagem, é uma explicação muito elucidada da realidade em que os projetistas experientes passam. É bom saber que existem ainda pessoas na gestão de projetos com sua capacidade e discernimento. Muito obrigado.
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